É isso. Na verdade o tema que abordo no meu tcc não é muito mais que um resquício de esperança nas nossas pessoas.
Aqui em Aracaju começaram a surgir condomínios de casas voltados para classes mais baixas. Os condomínios, de maneira geral, carregam com eles o conceito de autossegregação. De forma muito simplória, autossegregação nos diz que aquelas pessoas escolheram viver isoladas dos espaços públicos e dos demais cidadãos. Escolheram viver próximos aos seus semelhantes, ignorando a existência da diversidade própria das cidades
Intuitivamente, sabemos que as classes mais baixas têm maior propensão à interação social. Quando pensamos na imagem de pessoas caminhando nas ruas, interagindo com os vizinhos e até com estranhos, senhoras sentando para conversar nas calçadas logo depois de ir levar seu lixo na porta, locais onde os vizinhos se conhecem e conhecem a vida do outro, crianças brincando de bola na rua... essa imagem frequentemente nos remete aos bairros mais pobres da cidade. Aqueles que ainda guardam, em sua maioria, o modelo de cidade tradicional. É lá que a interação acontece. É isso que chamo de vida pública.
A hipótese que levanto em meu tcc é a de que essas pessoas se mudaram para esses condomínios muito mais em busca de proteção que de isolamento. Sim, vendemos a imagem de segurança dos condomínios e de insegurança nos espaços abertos, e com isso tornamos a cidade cada vez mais insegura. Chegou o momento das classes mais baixas também terem acesso a essa sensação de segurança sem abrir mão do conforto de morar em uma casa. Mas, quero acreditar - e atestar, essas pessoas mantém uma maior relação com o espaço externo ao condomínio, com seu entorno imediato e com os vizinhos externos.
Quero acreditar que estamos enclausurando as pessoas mas ainda não conseguimos matar as relações sociais. É dessas relações que surgem as manifestações populares, é daí que surge a nossa cultura, o nosso maior patrimônio. A cidade precisa de interação social, de contato, de troca. A cidade precisa estar viva.
